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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Corpo de Dominguinhos é velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco

Liv Moraes se despede do pai, Dominguinhos. Ao lado, Saviano do Acordeon, irmão de Guadalupe, ex-mulher do músico, presta sua homenagem (Foto: Katherine Coutinho/G1)
O corpo do cantor e compositor Dominguinhos está sendo velado, na manhã desta quinta-feira (25), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no bairro da Boa Vista, área central do Recife. O artista faleceu na última terça (23) no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. Com o dia ainda escuro, alguns fãs do artista já aguardam em uma fila organizada do lado de fora da Assembleia.

Na porta da Alepe, o filho de Dominguinhos, Mauro José Silva de Moraes, se aproximou para ouvir as homenagens dos fãs, que cantam a obra do sanfoneiro. Um dos artistas que foi ao local logo cedo prestar homenagem foi o cantor de forró Alcymar Monteiro. Junto com os fãs, ele entoava músicas de Dominguinhos.

Na fila, a historiadora paulista Eloá Chouzal estava emocionada. "Eu não o conheci, apenas através da música. Estou aqui trabalhando em uma pesquisa para o museu de Luiz Gonzaga, não podia deixar de me despedir. A cultura sofre hoje de várias formas, ele era um grande músico e uma grande pessoa", afirma Eloá.

Amigo da família de longa data, o bancário e pesquisador Paulo Vanderley conta que sempre vai lembrar da genialidade musical de Dominguinhos. "Só que, por incrível que pareça, quando o conhecia, ele era um ser humano superior ao músico. Vou guardar muitas lembranças dele", diz, emocionado, Vanderley.

Logo cedo a família já aguardava ao lado do caixão. Saviano do Acordeon, irmão de Guadalupe, prestou uma homenagem ao ex-cunhado tocando canções do músico. O prefeito do Recife, Geraldo Julio, também chegou cedo para prestar uma última homenagem ao músico pernambucano. "Esse é um momento de muita dor para todos. Dominguinhos deixa para nós duas grandes lições. A primeira é o talento, a importância da música, não só para o forró, mas a música como um todo como um caminho para uma vida melhor para nossos jovens. A segunda é a luta pela vida, ele lutou até o final", afirma o prefeito.

O cantor Alcymar Monteiro aponta que Dominguinhos é uma verdadeira escola para os músicos que surgem agora. "Luiz Gonzaga inventou o forró, mas Dominguinhos o modernizou tanto em sua forma, quanto em seu conteúdo. Todos deveriam estudar sua obra", defende.

Indefinido
A ex-mulher e amiga de Dominguinhos, Guadalupe Mendonça, também esteve presente no velório na capital pernambucana. Ela contou que estava sem dormir há quase 48 horas com as organizações do velório em São Paulo e no Recife, mas ainda não tinha nenhum horário e local definido para o enterro. "Não temos previsão. Estou deixando tudo acontecer", relatou, na manhã desta quinta-feira (25). Em entrevista, Guadalupe se mostrou em paz com a morte dele. "Estou feliz, estou feliz porque sei que ele está aqui. Sou espiritualista, eu sinto. Os últimos meses haviam sido difíceis, não dava mais, estava sem controle. Acho até que ele escolheu e eu senti aliviada por ele. Ele foi tranquilo", disse Guadalupe.

Quando o portões se abriram, às 8h da manhã, os fãs e pessoas que aguardavam do lado de fora puderam entrar no local ao som do acordeon de Saviano, irmão de Guadalupe. Para ele, tocar no velório de Dominguinhos é uma forma de retribuir todos os ensinamentos do sanfoneiro. "Ele me dizia 'pratique, pratique, nunca pare. Continue animando o povo'. Isso para mim é minha vida, tocar sanfona", afirmou o músico. "Eu viajei boa parte do mundo e a gente não sente o carisma que Dominguinhos passava para as pessoas em cima de um palco. Ele cantava e tocava como se a sanfona fosse parte dele e ele, parte da sanfona", disse o acordeonista.



G1

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