Os problemas na rede estadual de Educação vão além de instalações precárias. O Estado é um dos poucos do país que não possui um Plano Estadual de Educação, atualizado e moderno. Na manhã de ontem, a governadora Rosalba Ciarlini, reconheceu que a situação é preocupante e anunciou que, em setembro, vai convocar todos os prefeitos, gestores e especialistas de educação para uma mobilização em favor da educação. O principal foco será a elaboração do Plano Estadual de Educação a longo prazo.
"Como é que um Estado como o nosso não tem um Plano Estadual, atualizado e moderno, para, pelo menos dez anos, que seja permanente. Não se pode construir uma boa educação sem continuidade", afirmou a governadora em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.
Durante o seminário "Agenda para mudanças curriculares no Ensino Médio", no auditório do CTGAS, a governadora lamentou os índices do estado. "O resultado do ensino médio no Rio Grande do Norte é um desastre, é péssimo, e digo isso com base nos indicadores do Ideb, do ano passado", afirmou. Em 2010, o Rio Grande do Norte obteve a segunda pior nota - 3,9, ficando atrás apenas do estado do Piauí.
Segundo Rosalba, em 2010, o governo do estado recebeu R$ 42 milhões, extras, do Ministério da Educação para investimento no ensino médio. "Os resultados desses investimentos não apareceram. Não vimos resultados práticos. Não houve nenhuma melhoria", afirmou. Ela disse que os baixos indicadores não significam que não existem boas escolas.
"Temos escolas de excelência. Temos escolas que tem Ideb acima da média nacional, mas é uma aqui outra ali. Queremos que todas possam ser melhor", anunciou. A governadora disse que a greve atrapalhou os planos do governo. A ideia era lançar a campanha de mobilização em maio. O objetivo é mostrar o diagnóstico da educação e abrir um debate sobre perspectivas e planejamento da educação. "Se não tiver uma ação articulada com os municípios não melhora. Como o ensino médio vai ser melhor se o básico não melhorar".
Hoje, de cada dez alunos que sai do ensino fundamental somente 3,5 termina o ensino médio, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação e Cultura. "Isso é uma coisa triste. Mostra exatamente a falta de estímulo", afirmou a governadora, ressaltando a necessidade de associar o profissionalizante ao ensino médio. O seminário realizado ontem foi promovido pela Comissão Especial do Plano Nacional de Educação, da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Rogério Marinho.
Segundo a secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho, os recursos extras liberados em 2010, pelo MEC foram exclusivos para apoio ao ensino médio, considerando que a universalização desse nível é meta prioritária do governo federal. "Foram feitos investimentos em formação, que não repercutiu, por falta de um foco prioritário e de projetos que sejam promissores ao longo de anos".
Segundo ela, "se esperava que o ensino médio não só com esse dinheiro, mas com todos os projetos vinculados a ele, tivesse ganho de estrutura, não só construções de prédios, mas também em qualidade". A secretária disse que é preciso vislumbrar uma estrutura pensada para acolher o ensino médio na sua diversidade. Betânia Ramalho afirmou que o diagnóstico que se tem é desanimador, "do ponto de vista do que se deixou fazer". Mas o governo tem esperança de "colocar a locomotiva nos trilhos".
A SEED está preparando um planejamento para buscar recursos extras no MEC, a exemplo do que aconteceu ano passado. "Vamos focar o ensino, a aprendizagem e a diversidade da formação. O ensino médio tem que ganhar status porque a população carente, que precisa da rede pública quer ter uma oportunidade para alavancar o futuro".
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