A criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes pode não ser o único golpe que o governo sofrerá no Senado. O PR se reunirá no início da próxima semana para decidir se continuará apoiando a presidente Dilma Rousseff na Casa.
Para o senador Blairo Maggi (PR-MT), a tendência é que o partido assuma uma postura mais independente. "Acabei de acertar com o líder (do partido) uma reunião para a semana que vem. A gente não tem nada no governo, por que vai carregar (o governo)?", perguntou o senador, que chegou a ser convidado pela presidente para assumir o ministério depois da saída de Alfredo Nascimento (PR-AM).
O líder, Magno Malta (PR-ES), é favorável a deixar a base. "Vamos sair desse bloco, vamos fazer apoio crítico ao governo. O que é bom é bom, o que é ruim é ruim. Porque eu não quero ser levado para a vala comum de bandido não." A mesma postura foi adotada pelo senador Vicentinho Alves (PR-TO), que sugeriu que os membros do partido que têm cargos no governo abdiquem. "Vamos caminhar com nossas próprias pernas. E que quem tiver cargos, que entregue. Não podemos ficar a reboque."
Para a oposição, a saída do partido, que tem seis senadores titulares e três suplentes, pode favorecer ainda mais a criação de uma CPI. "Se o PR sair da base do governo pode ser uma grande contribuição na apuração da verdade", afirmou o líder do DEM, Demóstenes Torres (DEM-GO).
Os oposicionistas conseguiram as 27 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de criação da CPI. O trâmite, contudo, ainda não está concluído. A Mesa Diretora irá checar as assinaturas e deverá ler o documento para a investigação em plenário só na quarta-feira. A partir daí, os senadores que assinaram o requerimento terão até a meia noite para voltar atrás e retirar seu apoio, o que pode derrubar a instalação da comissão de inquérito.
A crise no Ministério dos Transportes
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo.
O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".
Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos de um filho do ministro. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente. Em seu lugar, assumiu Paulo Sérgio Passos, que era secretário-executivo da pasta e havia sido ministro interino em 2010.
Além de Nascimento, outros integrantes da pasta foram afastados ou demitidos, entre eles o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron - único indicado pelo PT na direção do órgão -, o diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e assessores de Nascimento.
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