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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bruno quer ser julgado sozinho

Os advogados do goleiro Bruno Fernandes, 27, e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, querem o desmembramento do processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio. Os defensores acreditam que o julgamento individual dos réus possa beneficiar a estratégia de defesa já que garante mais tempo de contato com o júri.

O advogado de Macarrão, Leonardo Diniz, protocolou o pedido de desmembramento no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no último dia 12 de abril e aguarda julgamento. Segundo a assessoria do TJMG, o caso está com o desembargador Hebert Carneiro, que poderá julgar a solicitação na próxima quarta-feira.

"Havendo pluralidade de réus, como é o caso do processo, isso pode comprometer a defesa e prolongar a prisão preventiva do Luiz Henrique", explicou Diniz. De acordo como ele, se forem julgados juntos, o tempo que cada defesa terá para se manifestar será pequeno. Isso, porque durante o julgamento, as duas horas e meia disponíveis para as manifestações das defesas teriam que ser divididas entre os oito acusados. "Para mim, sobraria apenas 19 minutos para expor a defesa. Em separado, esse tempo passa para uma hora e meia", afirmou. Em fevereiro deste ano, a defesa de Macarrão fez o primeiro pedido de desmembramento, mas a Justiça negou.

Já o advogado de Bruno, Francisco Simim Filho, explicou que a solicitação de um julgamento individual será o próximo passo depois de conseguir a liberdade provisória do goleiro. "É muito importante que o Bruno seja julgado sozinho. A situação para a defesa muda totalmente", disse Filho. Além de Macarrão e Bruno, outros seis réus serão julgados no processo, que ainda não tem prazo para acontecer.

Em abril do ano passado, de acordo com o Tribunal de Justiça, o primo do goleiro Bruno Fernandes, Sérgio Rosa Sales, que também é acusado de ter participado do desaparecimento e morte de Eliza, teve o pedido de julgamento individual autorizado pelo Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, o suspeito desistiu da estratégia quando conseguiu a liberdade provisória em agosto do ano passado.

Bruno, o amigo Macarrão e Sales foram pronunciados por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, quando veio para Minas se encontrar com o goleiro para discutir os detalhes sobre a paternidade do filho do casal, Bruninho, hoje com 2 anos. O corpo nunca foi localizado pela polícia. Para o Ministério Público, Bruno mandou matar Eliza para não assumir o filho. Segundo o TJMG, ainda não há previsão para o julgamento do caso.

Avaliação. Para o advogado criminalista e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Geras, Adilson Rocha, o desmembramento do processo pode acelerar o julgamento dos oito acusados da morte de Eliza Samudio. No entanto, ele acredita que a medida pode também colaborar com as defesas dos réus durante o julgamento. "O desmembramento é bom para a sociedade porque garante a ampla defesa do que está sendo acusado", afirma Rocha.

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