Os pareceres são de outubro, mas seu teor foi divulgado apenas nesta segunda-feira. Um deles se refere a uma ação civil pública movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), um dos maiores opositores ao programa. A ação do CFM é mais ampla, e contesta, entre outros pontos, a falta de garantias trabalhistas e a forma como o convênio com Cuba, intermediado pela OPAS, foi feito. Mas a procuradora Luciana Loureiro entende que, nessa ação, cabe apenas questionar a forma como os valores são repassados para os médicos cubanos. Ela inclusive defende os benefícios que a vinda desses médicos pode trazer ao Brasil. A procuradora destaca que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) outras ações questionando a constitucionalidade do programa.
O MPF destaca que cerca de R$ 510 milhões foram gastos para trazer médicos de Cuba apenas em 2013. Mas o próprio governo, em documentos encaminhados à Justiça, admitiu não saber os termos do acordo entre a OPAS e o governo cubano, e entre o governo cubano e os seus médicos. Haveria assim, na opinião da procuradora, um descontrole sobre o que é feito com o dinheiro público. Segundo ela, quando questionado sobre isso na Justiça, o governo informou ter solicitado tais documentos à OPAS, mas a organização teria se recusado a repassá-los, alegando cláusula de confidencialidade.
“Malgrado a importância da motivação e das finalidades do Programa Mais Médicos para o Brasil, além das inegáveis contribuições que os médicos da ilha de Cuba podem trazer para o desenvolvimento e o aprimoramento das ações do Sistema Único de Saúde, entendemos que a viabilização da vinda de tais profissionais cubanos, nos termos em que pactuados com a OPAS, se mostra francamente ilegal e arrisca o erário a prejuízos até então incalculáveis, exatamente por não se conhecer o destino efetivo dos recursos públicos brasileiros empregados no citado acordo”, diz a procuradora no parecer da ação movida pelo CFM.
O outro parecer, também da procuradora Luciana Loureiro, diz respeito a uma ação popular movida pelo advogado Plínio Gustavo Prado Garcia e tem teor semelhante. O parecer é do dia 14 de outubro, mas, oito dias depois, o juiz deu sentença extinguindo o processo.
O programa Mais Médicos trouxe 14.462 profissionais ao Brasil, dos quais quase 80% são cubanos. Segundo o Ministério da Saúde, eles atendem 50 milhões de pessoas em 3.750 municípios.
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