"Se a escolha for técnica, Brasília tem de ganhar. Mas se for por arranjo ou postulações políticas...", insinuou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que foi o único presente da Capital Federal ao evento na Marina da Glória.
maurício de souza/hoje em dia/ae
Estádio do Mineirão é o único que está completamente dentro do cronograma traçado pelo Comitê Organizador Local e os mineiros apostam na organização para vencer
O anúncio do local de abertura vai ser feito pela Fifa em outubro. Mas é muito difícil que São Paulo seja preterido. Nesta semana, o secretário-geral da entidade, Jérome Valcke, deu pelo menos duas indicações a favor do Itaquerão, ao se dizer satisfeito com o início das obras e com a definição sobre as garantias financeiras para o estádio e ao admitir esperar pela arena paulistana até fevereiro de 2014, se necessário for.A tecla da "escolha técnica" foi batida também por Belo Horizonte e Salvador, como se tivessem combinado uma estratégia para combater São Paulo. A alegação comum é que estão honrado todos os prazos acordados com a Fifa e com o Comitê Organizador Local (COL), justamente o que os paulistas não fizeram, atrasando em vários meses a definição sobre o Itaquerão.
Brasília argumenta que 35% das obras do novo Mané Garrincha (para 71 mil pessoas) estão construídas - é considerado o estádio mais adiantado para a Copa de 2014 - e que a infraestrutura necessária para receber a abertura não preocupa. Belo Horizonte e Salvador também alegam que suas arenas estão no prazo, embora ainda haja muito por fazer em infraestrutura.
"Se fosse só uma decisão técnica, Minas Gerais acolheria com certeza a abertura", disse o secretário extraordinário da Copa do Mundo no Estado, Sergio Barroso. "É muito estranho o atraso (do anúncio do local da abertura). O Soccer City foi anunciado local de abertura do Mundial da África do Sul em 27 de junho de 2007, e já estava atrasado."
Ney Campelo, responsável pelo comitê baiano, é ainda mais enfático ao reclamar da visível preferência pelo Itaquerão. "Por critério técnico é claro que a abertura só pode ser em Salvador, Belo Horizonte ou Brasília. No entanto, percebo uma sinalização a favor de São Paulo", disse.
São Paulo, no entanto, também se apoia nos tais critérios técnicos para garantir a abertura. "Nisso, somos imbatíveis. São Paulo é principal porta de entrada do Brasil, tem a melhor infraestrutura e o problema do estádio foi resolvido", disse o secretário estadual de Planejamento e coordenador do Comitê Paulista, Emanuel Fernandes.
Emanuel Fernandes também citou a obra viária que ligará o aeroporto à região de Itaquera e mostrou um estudo sobre a capacidade de metrô e trem transportarem até as imediações da arena 55 mil pessoas por hora, 5 mil a mais do que determina a Fifa.
EXPOSIÇÃO
As 12 cidades-sede montaram estandes na Marina de Glória, com o objetivo principal de se apresentar à imprensa e representantes de delegações estrangeiras. O clima festivo geral foi maior em Cuiabá, pela liberação pelo BNDES de R$ 57 milhões para a Arena Pantanal, e Natal, pois o BNDES aprovou o empréstimo de R$ 300 milhões para a Arena das Dunas.
Blatter confirma ideia de aderir à tecnologia
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, confirmou a possibilidade de introdução do chip eletrônico na bola para indicar se ela entrou ou não inteiramente no gol. A decisão será tomada em março do próximo ano, em Londres, e, se aprovada, deve estar valendo na Copa de 2014. "Vamos discutir se é preciso (o sistema), disponível e viável financeiramente", disse o cartola que controla a Fifa.
O chip tem, hoje, grande clamor por sua aprovação, pelo menos nas principais competições, por conta das seguidas dúvidas sobre a validade ou não de gols. Em 2010, por exemplo, no jogo entre Alemanha e Inglaterra, o inglês Lampard fez gol legítimo, mas o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não viu que a bola entrou.
A efetivação de dois auxiliares adicionais - há testes em algumas competições - é outra possibilidade, mais remota do que a adoção do chip, pelo que deu a entender Blatter. "Isso vai ser tratado pela (International) Board em julho de 2012, logo após a Eurocopa".
A arbitragem também deverá apresentar mudanças no Mundial do Brasil. Joseph Blatter falou na reestruturação do departamento de árbitros da Fifa, alvo de severas críticas nas últimas Copas. "Em 2014, o objetivo é trabalhar apenas com árbitros profissionais". Ele enfatizou, porém, que não será fácil adotar a medida, pois em muitos países os árbitros são amadores e as confederações não têm condições financeiras de adotar o profissionalismo.
MP questiona demolição da cobertura do MaracanãRio (Agência Estado) - O procurador Maurício Andreioulo, do Ministério Público Federal (MPF), prometeu ingressar amanhã mesmo com uma ação civil pública contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio (Iphan-RJ) por ter permitido a demolição da cobertura do Maracanã, tombado em 2000, numa obra que faz parte da reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014. A ação tem o objetivo de fazer com que o Iphan reveja a decisão. Caso isso aconteça, a obra pode atrasar.
Segundo a Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), responsável pela reforma, a marquise estava condenada. A reconstrução da cobertura não aconteceria a tempo do Mundial. A Emop decidiu, então, pela instalação de uma lona tencionada no lugar da marquise, que não estava prevista no projeto inicial e provocou um reajuste no valor total da obra, de R$ 700 milhões para R$ 931,9 milhões.
O procurador disse estar "convencido de que a autorização dada pelo Iphan-RJ foge à legislação". Segundo ele, uma portaria do Iphan de dezembro de 2010 e um decreto presidencial de 2009 determinam que a decisão de autorizar a demolição, por se tratar de um bem tombado, deveria ter sido tomada pelo Conselho Consultivo do instituto. "Ele (Carlos Fernando Andrade, superintendente do Iphan RJ) deu a autorização sem ouvir o Conselho", afirmou Andreioulo.
Segundo o superintendente do Iphan-RJ, não havia necessidade, pela lei, de levar o caso ao Conselho. "Isso não se faz necessário para a aprovação de projetos. O Conselho se reúne para tratar de tombamentos, registros e assuntos que o presidente do Iphan considere pertinentes. Quem autoriza projeto é a superintendência e, em caso de recurso, a presidência", disse Andrade.
A Emop também será citada na ação. Por meio de nota, o presidente da empresa, Ícaro Moreno Júnior, disse que a demolição da marquise, necessária por razões de segurança, foi "referendada por engenheiros especialistas em estruturas no Brasil e até da Espanha".
A demolição da cobertura vem sendo questionada, inclusive, pela arquiteta responsável pelo tombamento do estádio. A ex-chefe da Divisão de Proteção Legal do Iphan-RJ, Cláudia Girão, disse que a retirada da marquise descaracterizará o Maracanã. "A maioria das imagens que se tem do Maracanã - único estádio brasileiro tombado pelo Iphan - são aéreas, é assim que ele é conhecido mundialmente", disse Cláudia.
Preço de ingresso será definido após as obras
Rio (AE) - A Fifa ainda vai demorar para definir o preço dos ingressos para a Copa do Mundo de 2014. A justificativa, não muito convincente, é de que isso só poderá ocorrer quando os estádios estiverem prontos. "Antes de dizer o preço, precisamos ter os estádios prontos, a quantidade e o tipo de assentos para definir as categorias e os valores", disse no Rio de Janeiro, o secretário-geral da entidade, o francês Jérome Valcke.
A rigor, não é bem assim. A Fifa tem condição, com base no projeto de cada estádio, de saber a quantidade de lugares que estarão disponíveis para todos os setores, dos mais luxuosos aos mais simples. Na realidade, a definição do preço, informou pessoa ligada à entidade, tem de atender aos interesses comerciais dos organizadores sem, no entanto, desprezar o poder aquisitivo do público local. Essa é uma equação cuja solução não é tão simples.
Valcke confirmou, porém, que será mantido o modelo adotado na Alemanha e repetido quatro anos depois na África do Sul, com quatro grupos de ingressos. "Em 2006 e 2010 funcionou bem. Haverá bilhetes top, mas também haverá ingressos a preços acessíveis". Na África do Sul, o preço dos bilhetes variou de US$ 20 (para jogos insignificantes da primeira fase) a US$ 900.
Também foram distribuídos ingressos para pessoas carentes, algo que a Fifa estuda repetir no Brasil. A exemplo das entradas mais baratas, também só foram contemplados partidas de pouco apelo.
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