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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Médico do Walfredo Gurgel diz que “a desumanização está generalizada”



Enquanto o médico Madson Vidal ecoa apelo pela vida de bebês e crianças, o médico Sebastião Paulino grita pelos idosos.
Ele já foi diretor do Walfredo Gurgel mas não quer nem pensar em administrá-lo novamente, pela falta de compromisso dos governos para uma solução definitiva. Mas continua firme trabalhando no hospital. Testemunha da gravidade crescente. “Já fiquei no comando de 1999 a 2002. Hoje não quero porque não confio nos representantes e auxiliares que estão no comando”, afirma.
Vai à tecla recorrente do que acontece com o hospital que deveria atender exclusivamente a urgências e emergências: ambulancioterapia.
Ou seja: a demanda acentuada acontece porque o que deveria ser atendido em unidades municipais de saúde é encaminhado ao HWG. Principalmente de Natal, a única capital brasileira que não tem um hospital municipal.
O blog conversou ontem com Sebastião Paulino, no Walfredo. Os ponteiros do relógio apontavam 15h. Oito pessoas aguardanvam em macas no corredor ser transferidas para uma  UTI.
Culpa a “falta de gerenciamento por parte do estado e do município, que recebem os repasses do governo federal e não administram corretamente na fonte”.
Também “o jogo da politicagem” com o assistencialismo, perpetuando o vício da dependência aos favores de ambulâncias e medicamentos.
Considera “absurdo” o Hospital Santa Catarina não ter ortopedista.
Reclama que há mais de 40 dias o Walfredo está sem comando (diretror geral).
Lembra que dois hospitais conveniados, Memorial e Médico Cirúrgico, não atendem por falta de pagamento.
Lamenta: – “A desumanização está generalizada”.
A falta de compromisso de gestores com a saúde pública e com os profissionais médicos vêm desestimulando a trabalhar para o Estado. Tanto que dos onze neurocirurgiões aprovados no último concurso público, apenas um optou por assumir o cargo.
Para se ter idéia, nos hospitais públicos falta até papel higiênico. Luvas, medicamentos para sedação, etc e mais, são artigos de luxo, acreditem. Faltam sempre. Inclusive alimentação.

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